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DTLS - Playground

(...) Quanto menor é a participação directa num suporte físico, maior é a exploração mental do mesmo. À total responsabilização do sujeito num campo aberto, advém um corpo-espectador denso e inquieto que, por não ter controlo das imensas camadas do bolbo físico, ressoa num bolbo imaginário." (Santos, Do indivíduo no espaço ao espaço do indivíduo, p. 168, 2009.)

Vivemos na civilização do espectáculo. O sensacionalismo, a superficialidade e o entretenimento são a expressão de uma indiferença passiva que tudo aceita como sendo cultura, até chegarmos ao ponto de já não saber o que é cultura. Há que recusar a facilidade, a sedução e ingressar da universidade do throw-up. Escolher o caminho da austeridade e da pobreza de meios operativos. O grande público, ofuscado pelo fogo-de-artifício que passa através da grelha das células revestidas a fósforo onde se dá a ionização dos gases nobres, permitindo a formação da cor num ecrã plasma. Manipulado, perde a capacidade de questionar aquilo que lhe é dado como certo. Nós por cá preferimos continuar a desenhar no blackbook. O imaginário é tão mais condicionado quanto mais referenciado for o suporte físico. A falta de referências leva à (con)centração do individuo, do qual tudo parte e ao qual tudo chega. A liberdade entra em confronto com posse... Ahh, e o amor! O graffiti é livre, ninguém o possui, porque graffiti só existe no espaço público... E talvez.. reversibilidade! Sim reversibilidade - pôr de lado a ideia de fazer algo para sempre. Isso e fo shizzle ma nizzle.

Fazemos isto porque precisamos... não é pela adrenalina... vemos a cidade de uma perspectiva diferente... é isto que o graffiti nos oferece.... sem a pressa... sem os fatos, os carros, os sacos de compras, as conversas triviais. Quem vive na rua luta pela vida: não existem as capas, as fachadas, as máscaras, os: "— Como se chama?" "— Doutor... ". As rugas estão lá, vincadas! És tu e o mundo lá fora, as paredes cinzentas, as casas entaipadas, o património edificado em ruínas... e o buff selectivo. O contexto influencia o resultado. Logo, a forma segue a função. O graffiti é resultado das condicionantes urbanas. A urbe é o nosso playground e é o contexto desta que dita a abordagem: grande, pequeno, rápido, lento, controla, corre, spray, rolo, forma, estilo, ausência de. É legítimo por si mesmo. Seria hipócrita trazer o graff para dentro da galeria. Por isso, trouxemos as nossas dúvidas, a nossa resiliência, a nossa capacidade de trabalho e a (in)capacidade de responder, colocando mais perguntas.

Isto somos nós a brincar. Não importam as reacções nem as adversidades. Não existe nenhum prémio.

 

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            DTLS - Playground 17

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